terça-feira, 12 de junho de 2012

A busca do Sonho Parte 2


Havia algo de errado consigo, dizia o homem em sua mente. Primeiro um pico congelado, agora uma caverna escura, abaixo desta montanha, onde a humanidade pare ia nunca ter chegado.  E tudo isso por causa de uma mensagem, entregue em seus sonhos. Duvidaria de sua sanidade se não fosse uma marca na sua mão, em forma de pássaro, feita pelo mensageiro, dentro do mesmo sonho.
- E se eu estiver ficando louco? Quem sabe eu sempre tive essa marca?
Riu nervosamente ao ouvir sua própria voz. Só um demente falaria sozinho, e era exatamente o que fazia. Será que os loucos questionam a si mesmo?
De repente, ficou escuro demais para enxergar, mesmo com a lanterna na mão, e o homem escutou uma voz, a própria voz, que não saia de sua boca, e que pare ia vir de todos os lugares.
- Questionar a si mesmo é a chave para ser sempre melhor. E agora que você veio a mim, tudo será explicado, seu tempo de angustias acabará.
- Quem está ai? - A voz do homem saiu menos firme do que ele gostaria.
Diante do homem, que se mergulhava na escuridão em que nada se via , exceto o próprio corpo, apareceu o encapuzado, que ele reconheceu como mensageiro dos sonhos, o que começou com aquela historia de salvar o mundo.
- Já que você esta se questionando, continue, vamos sanar suas dúvidas.
- ... Minha voz! - Disse o homem levando a mão ate seus lábios e fazendo cara de espanto.
- E, exatamente, sua voz. - O estranho baixou o capuz e revelou ter o mesmo rosto do homem, que começou a empalidecer. - Não pergunte, deixe que vá explicando, eu sou uma parte de você, do seu espírito. Eu sou a sua memória intuitiva. Você, meu caro, é um shaman, que teve seus poderes quase extintos separando novamente os mundos físicos e dos sonhos. Você salvou o mundo daquela vez. Que lhe custou a sanidade. Então você separou sua mente astral, - apontou para si. - da sua mente humana, - apontou para o homem, que tinha se resignado a ouvir, e um pouco de cor voltara a seu rosto. - assim, ambos se curariam.
- Por que eu... er  nós?
- Por que não? Você tinha a capacidade, e o mundo não agüentaria tempo suficiente até aparecer outro shaman que conseguisse fazer o que você fez. Se o mundo acabasse, você não sobreviveria.  Então seria a escolha obvia.
- O que causou isso tudo?
- O colapso do mundo dos sonhos? Não sei, notei, no caso, você, a parte humana notou que havia algo errado com o mundo físico. O lugar onde você vivia havia se tornado incoerente, impreciso. Sinal que algo havia de errado com o mundo dos sonhos. E havia alguém ou algo estavam tornando, de alguma forma, seus sonhos no mundo físico, enfraquecendo a barreira dos mundos que, terminaria no aniquilamento de ambos. Eu usei toda a minha vontade para materializar a barreira dos sonhos novamente. E quando estava debilitado a ponto de não conseguir voltar ao mundo real, separamo-nos, como se fossemos dois indivíduos. Isso a 14 anos atrás. Você se esqueceu de mim, e eu me tornei um sonho. Mas agora esta acontecendo de novo. E novamente ninguém se manifesta.
- Deveríamos ver o que esta acontecendo, em vez de me sacrificar, não?
- A 14 anos não a havia tempo. Mas agora é diferente, por estar sempre nos sonhos, eu vi o começo, e até tenho uma pista de, se não o que, ao menos onde isso começa.
- E onde seria?
- Abismo de Husi! - Diante da cara de dúvida da sua parte humana ele completa. - Isso fica alem do seu e do meu mundo. E o lugar onde os deuses inexistem outra vez.
continua...

terça-feira, 5 de junho de 2012

Despertar Parte 1


              Por causa dos últimos sonhos que andava tendo, Hermes não estava mais conseguindo dormir direito, não que os sonhos fossem ruins, não eram pesadelos nem nada, o problema desses sonhos era exatamente o contrario, deprimia se com a realidade quando se descobria que estava sonhando. E esses sonhos geravam grandes expectativas misturadas a um aperto no coração, gerado pela culpa de se estar vivendo um sonho e deixando uma realidade. Toda essa confusão de sentimentos levava Hermes a ficar fitando o teto, ou o sua lembrança do teto, já que ficava no escuro.
                E ficar acordado o levava a pensar em como vivia mal, não era mérito dos sonhos serem tão bons, a culpa era da sua vida que, de tão desinteressante gritava por uma fuga, uma fortaleza contra a enxurrada de coisas que não queria, nem podia deixar de fazer. Hermes sentia que enquanto seguisse essa corrente, sua vida pertencia ao mundo, não a si próprio.
                Afinal, com um mundo tão angustiantemente infinito, não conseguia decidir qual deveria ser o seu rumo, e com isso, como todo o resto da humanidade, escolhia viver na zona de conforto que a vida lhe trancafiou. Era isso, uma prisão, o que lhe dava prazer falso e momentâneo, era também o que impedia de ser ele mesmo.
                - A pior prisão é aquela que é fácil de ficar! – Constatou sozinho. – E como assim?  - prossegue ele com o monólogo na escuridão do seu quarto. – Eu sou preguiçoso, todo mundo é, e por isso, quando algo exige um esforço, a gente desiste, pra manter as coisas que a gente quer. Por exemplo, eu não quero envelhecer sem fazer uma dúzia de coisas que eu sempre ignoro com medo de ficar sem dinheiro, sem emprego, sem uma casa com uma televisão, mas eu já estou sempre sem dinheiro, odeio o meu trabalho e nunca assisto televisão, que só me entedia. Mas eu não mudo, pois essas coisas fazem parte da minha zona de conforto e eu tenho medo de querê-las quando eu perder. E exatamente essa a coleira que a vida me põe. É como invejar os pássaros e ter medo de altura.
                E lentamente, mas totalmente sem controle seu sono venceu seu estado de espírito perturbado, trazendo um angustiante, porém maravilhosos sonhos. Nesse sonho, com um pano de fundo medieval, sonhou que era uma força da natureza, não como um mestre, mas como um componente. Nesse sonho, chamavam no de mago, alquimista, feiticeiro; E isso o fazia incrivelmente feliz. Podia sentir a textura da realidade como quem sente um tecido de seda deslizar por sobre o corpo. Podia manipular suas características e ditar seu comportamento.
                E ouvia o alerta de seu professor, quanto ao perigo do envenenamento pelo seu próprio ego, seu orgulho poderia ser seu maior obstáculo, ou talvez até seu nêmesis. Mas no momento que iria prosseguir com uma discussão, Hermes o interrompe e diz que seu nêmesis ele já conhecia, era seu próprio cinismo em relação a si próprio que o impedia de ser um mago o tempo todo. E pior, esse cinismo estava ganhando a batalha e levando seu coração para longe do seu mundo...
                 Ao sentir essas palavras saindo da sua própria boca, totalmente sem o controle da sua vontade, ele acorda assustado e geme alto. Em seguida deita novamente, deprimido demais para acender a luz do quarto e fica lamentando o fato de seu professor não existir, da magia estar somente na sua lembrança do sonho.
continua...

A Busca do sonho parte 1

O homem caminhava com dificuldade na neve fofa que caira na noite anterior, respirava pesadamente pois andar naquele terreno exigia todo o seu fôlego. Enquanto caminhava, conversava consigo mesmo com a voz na sua cabeça sobre o porque de estar ali. Não achava que uma pessoa normal viajaria meio globo e escalariam uma montanha por causa de um sonho, e no entanto, la estava ele a 6000 metros acima do nível do mar, passando frio, e perseguindo algo tão efêmero que nem conseguia explicar para si mesmo.
- Sonhos não deixam marcas. - Disse Em voz alta.
- Nem sempre sonhos seguem regras meu caro.
De susto ao escutar outra voz que não a sua depois de 4 dias, ele se desequilibrou e só não rolou montanha abaixo pois uma mão, da mesma fonte da voz, o agarrou pelo braço.
Um ermitão parecendo bem idoso e, ao mesmo tempo jovial, com menos vestes que aquele clima pedia, lhe espanava a neve dos ombros como quem cuida de um filho.
- O que voce faz aqui?
- Estava esperando aquele que foi guiado pelos sonhos.
- Eu? - disse sem conseguir disfarçar o receio na voz.
- Voce esta sendo guiado por um sonho, meu rapaz? - Disse o velho num tom de deboche.
- Eu...-Ele não tinha certeza de nada, nem sabia se queria argumentar com esse estranho.
- Você parece com frio, venha ate a minha tenda, com frio é realmente dificil de raciocinar.
Depois dessa argumentação e de estar exausto, ele resolveu abandonar o receio e aceitou a hospitalidade do estranho. Alem de exausto, estava faminto, não criara coragem para parar naquele dia, pois não encontrara abrigo algum.
Dentro da tenda havia um cheiro convidativo de carne cozida, e um calor aconchegante de uma fogueira em brasas.
- Retire o agasalho molhado e se esquente no fogo, se quiser, sirva se. O urso esta delicioso.
Depois de comer, começou a observar o ermitão folheando um livro, como se buscase algo. Carne de urso ele dissera, mas não via arma alguma. Como alguem tão velho daria conta de um urso estando desarmado?
- Ha ! Disse o velho com um envelope de aspecto antigo na mão. Seu berro arrancou o homem do seu devaneio, sobre uma luta com ursos, tão violentamente que ele se assustou sobre onde estava.
- Isso é para voce, não é o que procura, mas é a paisagem ao seu redor, que se estende infinitamente, mas pode ser dobrada sem esforço por uma criança.
- Um mapa?! Arriscou o homem, parecendo depois, confuso com a sua própria afirmação.
- Você sabe mais do que ousa admitir para si mesmo, não é? Disse o velho após uma sonora gargalhada.
continua...

Metáfora poética da folha, por mim mesmo

leafs
A vida é como uma folha de árvore, enquanto se é jovem, se sente a energia desta árvore, como se pudessemos mudar o mundo inteiro sozinho, mas mas não podemos devido a estarmos presos. E quando o vento nos solta, sentimos o saboroso sabor de ser livre, isso ate percebermos que não estamos voando, e sim caindo. Antes do inevitavel fim dessa jornada ate o chão, percebemos tambem que é estar preso a alguma coisa que nos da força para se desenvolver. Ter uma familia não é estar preso, é estar ligado a aquilo que te fortalece.